PRÓLOGO
Ele e seu olhar hipnotizante faziam-me olhar constantemente em direção à esquina, lá no fundo uma luzinha piscava. “Deve estar mandando mensagens para sua nova ficante atraente e com bumbum grande”, pensei. Vi que outra resta aproximava-se dele, disfarcei olhando para o outro lado da rua mas logo virei-me novamente para saber se ela tinha realmente um bumbum tão grande quanto eu imaginava, mas quando foquei minha visão lá não era uma menina, era seu fiel e psicopata amigo. Bufei algumas vezes, impaciente, até ouvir o alerta de uma nova mensagem do meu celular.
- Ah, deve ser a idiota da Larissa atrapalhando minha busca. - murmurei baixinho.
Peguei o celular e borboletas surgiram no meu estômago quando vi de quem era a mensagem. Estava escrito “Nick, bonitão”. Meu Deus, espero que ele nunca veja isso, ele rirá absurdamente da minha cara. Hesitei por uns momentos antes de abrir a mensagem, olhando novamente para a escuridão da esquina. Ele me olhava. Mais borboletas. Ele estava olhando fixamente para onde eu estava. Abaixei a cabeça rápido, com a imagem do sorriso repuxado dele na mente. “O que ele quer comigo? Mas que droga”, pensei, já abrindo a mensagem. Comecei a ler:
“Sofia, meu amor, por que me olhas tanto? Assim ficarei com vergonha. Você como ninguém sabe que sou tímido, com algumas exceções…”
Droga, droga, droga. Eu certamente pensei nas mesma exceções as quais ele se referia. Às vezes gostaria de reviver todos os momentos em que a timidez dele ia-se e só restavam nossos corpos, mais juntos que nunca. E vejam só, aqui estou eu nostálgica novamente, parabéns Nicolas, seu grande babaca, você conseguiu.
Olhei para a esquina mais uma vez antes de ir embora. Ele conversava com seu amigo quase de costas e não deve ter percebido que ri antes de me dirigir à minha casa, que por sinal era bem longe, do outro lado da rua. E para todo meu azar a casa do idiota ficava na frente da minha. Esse foi um dos grande terrores que me apunhalavam no último mês, desde que acabei meu namoro com o Nick.
1
Assim que subi ao primeiro andar onde ficava meu quarto olhei pela janela pra guardar vestígios de como estava a casa dele, para que, se por acaso, fosse realmente necessário saber se ele havia chegado, eu soubesse onde procurar. A luz do quarto dele estava apagada. Vi alguns reflexos e parecia que a TV estava ligada, devia ser sua mãe. Essa devia ser mais uma noite de farra, e ele chegaria tarde.
Deitei-me em minha e pensei em nós dois, como tinha feito todas as noites anteriores. Deixei-me levar pelos devaneios e cai no sono.
Acordei repentinamente com o ventilador ligado e uma coberta do lado. “Mamãe”, pensei. Mas vi que o que realmente tinha me feito despertar foi o barulho de um carro, uma buzina e alguns risos meio altos que vinham da rua. Levantei num salto e abri devagar um pouco da minha cortina. Pelo que deu para deduzir com minha pouca visão, embaçada inclusive, era um carro que estava parado na frente da casa dele, consegui saber que era ele pela camisa rosa - havia visto ele saindo -, Thomas, um dos seus amigos, e outro menino que não consegui saber quem era. Estavam rindo um pouco alto, vi algumas luzes de celulares e dois minutos depois vi o carro se afastar e só a resta rosa ficar. “Será que ele está bem?”, a pergunta passava-se pela minha cabeça. Levantei o travesseiro e paquerei meu celular, “ligo ou não ligo?”, claro que não né! Mas eu estava me importando, bastante até. Larguei meu celular em cima da cama e voltei a olhar para a rua que já não estava ocupada por mais ninguém. Olhei para os lados e já me voltava para a cama quando vi uma pequena luz através da janela da quarto do Nick, fechei um pouco mais a cortina para que ele não notasse que eu estava ali, mas já era tarde. Ouvi o toque de nova mensagem no meu celular e borboletas apareceram no meu estômago. “O que ele quer agora?” - minha mão voou em direção ao celular e quase sorri quando vi o nome “Nick bonitão” na tela. Abri a mensagem e comecei a ler:
“Nossas impressões digitais não desaparecem das vidas que tocamos, né Fi? Tô fora de mim.. quer vodka?"
Fi… faz muito tempo que não era chamada assim. Talvez seja porque só ele sabe o quanto ser chamada assim me irrita.
Resolvi não responder a mensagem, e ao invés de tomar vodka, preferi tomar mais uma dose de nostalgia. Ah, se ele soubesse.
3
Viva. Permaneça vivo. Escolha suas prioridades. Escolha aquilo que te faz querer estar VIVO.
Desejo que o tempo me mostre alguma alternativa, além da que tenho em minhas mãos. Eu poderia fugir por qualquer brecha, por qualquer porta que foi largada aberta. Não faria questão de sair ilesa, não faria questão de levar algum pertence. Aproveitaria a distração de todos e partiria. Caminharia para qualquer direção e a menos que me sentisse realmente segura, não pararia de caminhar. Não quero chamar a atenção de ninguém e não quero pra mim, um amor que nunca tive. Só quero e preciso resolver essa história, escrita e narrada por mim. Às vezes sou a boa moça, às vezes a vilã, mas ambas as personagens buscam a mesma coisa. Ser amada.




